Diseño Gráfico & Ilustración

Ilustração científica com a técnica de pontilhado (Stippling)

ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA E NATURALISTA DE BORBOLETAS E OUTROS INSETOS COM A TÉCNICA PONTILHADO (STIPPLING)

Foi um grande prazer impartir a aula on-line, sobre a técnica de ilustração de pontilhado, organizada pelo Museu se Ciéncies Naturals de Granollers.
Muito obrigado a todos que participaram, deste e do outro lado do Atlântico!
É muito motivador saber que há cada vez mais interessados, entre ilustradores, biólogos, amantes da natureza … em usar a ilustração para comunicar a ciência, admirar, entender e preservar espécies e os seus habitats, usando uma técnica tão bonita como esta.

A TÉCNICA DE PONTILHADO:
Essa é uma técnica de ilustração com tinta, geralmente preta, na qual os pontos são usados ​​para criar diferentes tons de cinza. Ao variar a concentração de pontos, podemos criar cinzas mais claros (menos pontos) e cinzas mais escuros (mais pontos).
Ao contrário do pontilhismo, que é uma técnica que usa uma mistura de diferentes cores de pontos para criar um novo quando visto a uma certa distância, usada por Georges Seurat ou Vincent van Gogh por exemplo, para a técnica de pontilhado só se usa uma cor.

O pontilhado é uma técnica amplamente utilizada na ilustração científica da entomologia e botânica, entre outras, ajudando a ensinar de forma muito clara e esquematicamente se necessário a morfologia e pequenos detalhes de animais e plantas.
Podemos ver muitas dessas ilustrações antigas nas placas que a

O pontilhado é uma técnica amplamente utilizada na ilustração científica de entomologia e botânica, entre outras, ajudando a ensinar de forma muito clara e esquematicamente se necessário a morfologia e pequenos detalhes de animais e plantas.
Podemos ver muitas dessas ilustrações antigas nas lâminas que a Biodiversity Heritage Library disponibilizou como domínio público, nos seus álbums de FLICKR.
Actualmente, muitos artistas continuam usando essa técnica, tanto em ilustração científica quanto artística, e os resultados nunca deixam de surpreender. Como os ilustradores científicos Pedro Salgado, Julia Rouaux, Carim Nahaboo, ou os artistas Fer Alcazar, Pablo Jurado Ruiz, Nicholas Baker ou Rotislaw Tsarenko, entre muitos outros.

OS MATERIAIS:
Para esta técnica, podes usar qualquer ferramenta de tinta que permita fazer pontos: marcadores, canetas, pincéis, pluma …
Tudo depende do tamanho da nossa ilustração ou dos detalhes que queremos obter.
Para ilustrações científicas, recomendo o uso de marcadores com ponta de fibra resistentes à água, se quisermos adicionar cores de aguarela sobre o trabalho pontilhado. Eu costumo usar marcadores Faber-Castell ou Sakura Pigma Micron, mas existem muitas outras marcas.
Portanto, para o desenho final, é sempre uma boa idéia fazê-lo em papel de melhor qualidade, de técnica mista (200gr) ou papel aguarela (300gr). Também podes fazer belas ilustrações pontilhadas em papel vegetal.

Para o desenho preliminar, precisaremos dos materiais que normalmente usamos para fazer esboços: papel, lápis, régua, borrachas …
O desenho preliminar é copiado (com mesa de luz ou papel vegetal …) no papel da ilustração final.

Uma lista completa dos materiais pode ser descargada aqui:

EXERCÍCIOS DE PONTILHADO:

Exercício de GRADIENTE:
Um dos exercícios mais básicos quando começamos com a técnica de pontilhado é fazer um gradiente. Do tom mais escuro (preto) ao tom mais claro (branco), criando um gradiente suave e uniforme.
Podemos começar dividindo a área em várias partes para saber onde os diferentes tons de cinza aparecerão.
Com nosso marcador, adicionamos pontos, equidistantes, espalhados por toda a área e repetimos o processo quantas vezes for necessário, colocando mais pontos nas áreas intermediárias, até atingir a tonalidade desejada de cinza.
Nas áreas cinzentas intermédias, é importante apontar para que os nossos pontos não se sobreponham.

Experimentar TAMAÑOS DE PONTOS:
Este exercício ajuda-nos a conhecer os diferentes tamanhos de pontos que podemos obter com marcadores de tamanhos diferentes. Não te esqueças de anotar a marca e o tamanho do marcador que usaste.
Ao sombrear o mesmo desenho com diferentes tamanhos de ponta, podemos ver quais servem melhor para ilustrações grandes ou pequenas, que servem para áreas mais escuras e mais claras, os que nos permitem fazer mais ou menos detalhes …

Para fazer esse exercício, podes descargar o modelo aqui e também o exercício final, para referência:

A POSTURA DA MÃO:

A técnica de pontilhado requer muita paciência e, muitas vezes, muitas horas de trabalho.

Manter uma postura correcta na cadeira de trabalho é tão importante quanto encontrar a postura correcta para a mão.

Pode ser necessário fazer pontos por muitas horas e, portanto, se segurares mas o marcador, acabarás sentindo dores nos músculos e articulações da mão. Segura o marcador naturalmente, sem agarrar com força, o mais verticalmente possível e com o pulso apoiado em uma folha de papel, colocada entre a mão e o desenho. Dessa forma, evitas sujar a tua ilustração.

O ESBOÇO DA BORBOLETA:

Para começar uma ilustração científica, precisamos fazer uma investigação das espécies que vamos desenhar:

  • Podemos observar as nossas espécies no campo.
  • Observa uma amostra montada
  • SPedir informações a um biólogo especializado
  • Investigar na internet: juntar fotografias e informações das espécies em páginas especializadas.

Nesse caso, fiz um esboço da espécie de borboleta Melanargia occitanica, nome comum Medioluto Herrumbrosa, com base em fotografias.

Mesmo se nos baseamos numa amostra viva, sempre podemos tirar uma foto e imprimi-la, para fazer medições, escrever notas, linhas de referência encima …

Embora a ilustração científica exija medições muito precisas (que medimos no exemplar) e uma representação correta das espécies, também podemos e devemos desenhar a partir da natureza e praticar nossa capacidade de observar o máximo possível. É isso que melhora nossa técnica de ilustração.

Podemos apoiar-nos em diferentes fotografias e textos para encontrar os diferentes detalhes da morfologia das espécies. Com a ajuda dessas medidas e referências, podemos fazer nosso esboço, que traçaremos copiamos para o papel de melhor qualidade para nossa ilustração final. Se a nossa ilustração for simétrica, podemos fazer apenas metade e copiar o lado oposto com o esboço ao contrário.

FAZER O PONTILHADO:

Depois de copiar o nosso esboço passamos a fazer as sombras com a técnica de pontilhado.
Em borboletas, em particular, esta técnica é excelente para criar a textura das escamas das asas.
Começando do claro ao escuro, adicionando capas de pontos até atingir a tonalidade desejada de cinza.

FAZER CORRECÇÕES, BRILHOS E PORMENORES:

Se fizermos a ilustração em papel:

  • Podemos apagar pontos, fazer brilhos ou detalhes usando uma pluma ou um pincel muito fino e guache (têmpera) branco, ou tinta branca acrílica.
  • Não pinte áreas muito grandes com tinta branca, pois o branco da tinta nem sempre corresponde ao branco do papel e podem aparecer manchas.
  • Também podemos usar marcadores de acrílico branco.

Se nossa ilustração está feita em papel vegetal:

  • Podemos fazer essas correções, raspando suavemente com a ponta de um X-acto (bisturi)

Espero que gostes desta técnica tanto como eu !!
Aproveita para fazer os pontos ao ritmo da tua música favorita ou para meditar, o tempo vai passar a correr.